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Fertilidade e câncer

Fertilidade e câncer

Fertilidade e câncer

Novas técnicas permitem a possibilidade de ser mãe

Marco Melo (*)

O diagnóstico de câncer é encarado como um momento difícil na vida da mulher. Felizmente, os avanços na medicina têm contribuído para a cura ou controle da doença, porém as intervenções terapêuticas ainda continuam agressivas, trazendo consigo, como grave sequela, a falência ovariana precoce. Como o câncer atinge cada vez mais os jovens, em idades férteis, a preservação da fertilidade também deve ser levada em conta durante o tratamento da doença. A medicina reprodutiva aliada à oncologia tem avançado e oferecido técnicas que permitem que as pacientes, em tratamento do câncer, consigam futuramente se tornarem mães.

As intervenções terapêuticas com cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia pode levar a infertilidade, transitória ou permanente. Em virtude disto, na última década foram desenvolvidos alguns protocolos com alto nível de segurança para a realização de estimulação ovariana em pacientes oncológicas que serão submetidas a tratamentos. Algumas técnicas de preservação da fertilidade estão bem desenvolvidas, como a crio preservação de óvulos, e contribuem para que o sonho da maternidade se torne possível. Nessa técnica preservamos os óvulos antes de começar o tratamento contra o tumor. O método inclui a estimulação ovariana por meio de medicamento para que seja feita a punção dos ovários para a captação dos óvulos. As células então são congeladas a -196 C°.

 

Devido aos avanços nas medidas preventivas, na detecção precoce e nos tratamentos de tumores, a taxa de sobrevivência dos pacientes tem alcançado números animadores, variando entre 60% a 90%, dependendo do tipo de câncer e estádio da doença no momento do diagnóstico e início do tratamento.

 

A gravidez é indicada, em média, após 2 a 5 anos do tratamento da doença. As taxas de sucesso dependem da idade da paciente, podendo atingir 50% nos casos de transferência em mulheres com menos de 35 anos. É possível engravidar naturalmente, mas a preservação da fertilidade traz mais uma possibilidade para que a gravidez aconteça.

 

Diferentemente do que há décadas atrás, nem tudo está perdido quando se trata do sonho de muitas mulheres em se tornarem mães. Os profissionais da saúde que lidam com essa mulher devem estar atentos para esse detalhe tão importante. Com as novas técnicas em que existem várias opções para preservar a fertilidade, a maternidade pode sim ser possível. Na clínica, cerca de 10% dos congelamentos de óvulos são de mulheres que estão ou que já passaram por tratamento contra a neoplasia. A possibilidade contribui até para que elas acreditem ainda mais no tratamento e consigam projetar o futuro com a realização do sonho da maternidade.

(*) ginecologista e diretor da Vilara – Clínica de Reprodução Assistida.

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