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Hoje em dia (Opinião) – Pai, médico e filhos…Dos outros

Data da publicação: 12/08/2019

Marco Melo

Quando vemos uma criança nascendo, sendo amamentada ou apenas dormindo, não imaginamos o quão difícil é chegar a esses momentos. Muitas vezes, o planejamento familiar exige uma série de decisões para atender aos anseios. As questões como quando ter um filho e quantos, aliando condições financeiras aos sonhos dos dois, são importantes.

Qualquer homem, em algum momento da vida, descobre se quer se tornar pai. Alguns descobrem o dom da paternidade apenas quando realmente se tornam. Outros têm o sonho da paternidade, mas a realização pode ser mais difícil, uma vez que, em média, 15% dos casais têm dificuldades para engravidar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a infertilidade acomete cerca de 40% dos homens e 40% das mulheres, sendo que os outros 10% são atribuídos ao casal e 10% não têm uma causa definida.

Ainda na residência médica de obstetrícia, observando os casais grávidos com uma alegria e uma emoção imensas, já imaginava como deveria ser difícil não poder realizar esse sonho.

Nessa época, tive certeza que trabalhar com a realização de sonhos não seria uma profissão, mas uma missão de vida.

A medicina reprodutiva apresenta uma grande ajuda para concretizar o sonho da paternidade. Temos que imaginar que cerca de 50% dos casos de infertilidade são decorrentes de causa masculina. Os homens com baixa concentração de espermatozoides móveis têm seu problema corrigido pela inseminação intrauterina. Já aqueles que não conseguem ejacular ou produzir uma quantidade razoável de espermatozoides podem recorrer à biópsia do testículo para chegar à gravidez.

Hoje, com dois filhos – Isabela, de 12 anos, e Felipe, de 9 – devo admitir que um dos maiores desafios da paternidade é, sem dúvida, encontrar a medida certa de tudo: carinho, cobrança, amor e liberdade de escolhas. Entretanto, o prazer de voltar para casa depois de um dia inteiro de trabalho e encontrar os filhos, receber um carinho acompanhado de um sorriso ou vê-los crescendo e se tornando boas pessoas, é maravilhoso.

Há 20 anos atuando na área de reprodução assistida, não há um dia em que fui trabalhar desanimado. Primeiramente, porque amo o que faço, de verdade! Mas, muito desse entusiasmo se deve à minha experiência como pai e desejo que todos possam ter essa oportunidade incrível da vida e digo isso aos meus pacientes.

Quando descobri que seria pai pela primeira vez e estava com receio de não conseguir desempenhar esse papel com excelência, um amigo me disse: “Faça tudo com amor, sem medo de errar, sem a pretensão de ser perfeito. Os erros, quando existe amor, são entendidos e perdoados”. É verdade.

É fato que a presença paterna é essencial na formação da personalidade de uma criança. Na família moderna, em que a mulher também trabalha e se realiza profissionalmente e pessoalmente, abre-se um espaço maior para que o homem também assuma os cuidados com os filhos. Percebo também que o homem participa muito mais da criação do filho que antigamente. E, para ser sincero, ser esse pai moderno, sem pieguismo, é a melhor experiência que a vida nos oferece. É ter a oportunidade de aprender algo novo todos os dias e, também, crescer como ser humano, para proporcionar sempre o seu melhor.

Pai e sócio-diretor da Vilara – Clínica de Reprodução Assistida

Link da notícia original: Pai, médico e filhos…Dos outros



Texto revisado por:

Dr.Marco Melo / CRMMG 30246

Médico ginecologista. Membro da Comissão Nacional Especializada em Reprodução Humana-FEBRASGO, Mestre e Doutor em Ginecologia e Obstetrícia pela UFMG, Pós-doutor pelo Instituto Universitário-IVI, Universidade de Valência (Espanha), Especialização em Biologia Molecular da Implantação Embrionária pelo FIVIER (Espanha), Master em Ginecologia Endócrina e Reprodução Humana pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha), Editor da Revista Cadernos de Medicina, Membro da Câmara Técnica de Reprodução Humana do CRM-MG. CRMMG 30246

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