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Impacto do cigarro sobre a descendência de pais que fumam

Data da publicação: 12/01/2012

Seguindo sua linha de pesquisa sobre os efeitos deletérios do tabagismo sobre a saúde humana, Dr. Marco Melo acaba de enviar para publicação uma revisão sobre os efeitos nocivos do cigarro sobre os bebês de mães fumantes. Este trabalho será publicado na importante revista internacional chamada ” Expert Review in Obstetrics and Gynecology” em Março de 2012.

É sabido que o tabagismo durante a gestação está relacionado a um maior risco de insuficiência placentária e problemas de crescimento fetal. Entretanto, os seguintes efeitos nocivos do tabaco sobre o concepto são pouco divulgados. São eles:

1. Defeitos congênitos:

Um recente estudo envolvendo 173.687 casos de bebês malformados revelou que o hábito de fumar durante a gravidez aumenta o risco de que ocorra uma série de malformações: defeitos cardiovasculares, defeitos do sistema gastrointestinal e ósseos. A literatura médica sugere que os mecanismos envolvidos sejam uma redução da vascularização aos tecidos fetais em formação/ desenvolvimento provocada principalmente pela nicotina e seus derivados.

2. Problemas comportamentais e neurológicos:

O hábito de fumar durante a gestação também e associa a uma maior incidência de crianças com problemas de comportamento, tais como: irritabilidade, falta de atenção, diminuição da resposta a estímulos auditivos e problemas de desenvolvimento da fala. Estes distúrbios podem ser vistos não somente em crianças, mas também nestes mesmos indivíduos na idade adulta.

3. Obesidade na criança de idade pré-escolar:

Vários autores evidenciaram uma tendência maior à obesidade em crianças de mães que fumaram durante suas gestações. Esta incidência chega a ser quase que 50% maior neste grupo de crianças. O possível mecanismo proposto é muito interessante. Ao sofrer a privação de nutrientes durante a gestação, uma vez que o tabagismo reduz a passagem de sangue pela placenta, as crianças seriam programadas a desenvolver mecanismos de “acúmulo de energia” também após o nascimento. Desta forma, seriam mais predispostas ao desenvolvimento de obesidade e diabetes tipo 2 na idade adulta.

4. Risco de câncer infantil

Sabe-se que o hábito de fumar aumenta o risco de câncer e que cerca de 30% de todos eles estão relacionados ao seu uso. Em crianças, cresce a evidência desta relação. Entretanto, o fato mais inusitado reside no fato de que, apesar de a maioria dos estudos focarem o consumo do cigarro pelas mães, recentes estudos mostram esta correlação somente positiva ao consumo do cigarro pelo homem (pai). O mecanismo preciso ainda está obscuro, mas parece que esteja ligado a um feito deletério sobre o DNA dos espermatozóides ou a um tabagismo passivo das mães, isto é, embora elas não sejam fumantes, inalam as substâncias tóxicas do cigarro que afetam os fetos.

Escrito por Marco Melo


Texto revisado por:

Dr.Marco Melo / CRMMG 30246

Médico ginecologista. Membro da Comissão Nacional Especializada em Reprodução Humana-FEBRASGO, Mestre e Doutor em Ginecologia e Obstetrícia pela UFMG, Pós-doutor pelo Instituto Universitário-IVI, Universidade de Valência (Espanha), Especialização em Biologia Molecular da Implantação Embrionária pelo FIVIER (Espanha), Master em Ginecologia Endócrina e Reprodução Humana pelo Instituto Valenciano de Infertilidade (Espanha), Editor da Revista Cadernos de Medicina, Membro da Câmara Técnica de Reprodução Humana do CRM-MG. CRMMG 30246

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